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​Traduzindo em números

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12/09/2016

A primeira semana de setembro trouxe uma maré de manifestações contrárias ao desfecho do processo de Impeachment da ex-Presidente Dilma Rousseff, com a posse oficial de Michel Temer, além da indignação pelo “fatiamento” da votação de condenação, a pedido do Partido dos Trabalhadores, o que resultou na manutenção do direito da ex-presidente a exercer função pública, mesmo após ter o mandato cassado pelos senadores.

Ao passo que vivemos uma semana turbulenta na política, ainda sem previsão de conclusões consistentes, os índices marcadores da economia brasileira referentes ao mês de agosto trouxeram tímidos sinais de recuperação. Nas estradas, apesar da queda de movimento, estima-se a recuperação em breve. O comércio demonstra algum sinal de recuperação de fôlego, assim como o índice de preços ao consumidor.

Economia continua esvaziando as estradas – Criado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, em conjunto com uma empresa privada de consultoria, o índice ABCR mede o fluxo de veículos nas estradas operadas sob concessão. Neste mês, o movimento nas estradas caiu 2,8% em relação a julho. A comparação é feita de modo a trabalhar os dados sem efeitos sazonais, o que significa que a redução não se deve ao fim das férias escolares, e sim a menor movimentação comercial.

O desempenho negativo foi influenciado tanto pelo fluxo de veículos pesados como de leves, visto que ambos apresentaram retração em magnitude”, afirma Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, que desenvolve o índice ABCR junto com a entidade.

Recuperação – Embora os números sejam característicos de economia refreada, Bacciotti diz que a previsão é de recuperação: “No fluxo de pesados, apesar de apresentar o segundo resultado consecutivo de retração, a expectativa é de que o ritmo de queda não seja intensificado nos próximos meses. A tendência é de melhora incipiente manifestada por parte dos principais indicadores industriais”. Ele acredita que o aumento da confiança por parte dos empresários industriais e o processo de normalização dos estoques devam contribuir para que o moderado aumento esperado da produção industrial influencie positivamente o fluxo de caminhões.

Ainda que o especialista mantenha a esperança na retomada do movimento, o histórico das estradas não é muito animador: quando comparado ao mesmo período de 2015, o índice apresenta 5,3% de queda, sendo 6% atribuídos aos veículos peados.

Índice ABCR Brasil

abcr

FecomercioSP acredita em recuperação do varejo já para o final deste ano – A percepção de que a economia vai se recuperar não é exclusiva das rodovias: segundo a FecomercioSP, ela se consolida, gradativamente, entre os empresários do comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo. Pelo quarto mês consecutivo, o IEC (Índice de Expansão do Comércio) da própria entidade registrou elevação no comparativo mensal e, em agosto, atingiu 77,9 pontos, o que representa 0,1% a mais do que em julho. Quando comparado ao mesmo mês do ano passado, quando o indicador apontou 67,2 pontos, o número é ainda mais expressivo: houve crescimento de 15,8%.

Investimentos – Apesar da recuperação do otimismo, o indicador se mantém há 19 meses abaixo dos 100 pontos, o que sinaliza pouca disposição para investir ou contratar por parte dos empresários. O Nível de Investimento das Empresas é um dos indicadores que compõem a pesquisa, e sinaliza se o empresário está ou não disposto a investir em novas instalações ou equipamentos. O índice aumentou 2,1% em relação a julho, e 3,1% na comparação anual.

“Fundo do Poço” – De forma geral, a FecomercioSP avalia que “as empresas percebem que o momento é melhor do que era no passado recente e também do que no mesmo período do ano de 2015, quando a crise ainda avançava”. No segundo semestre, já parece haver evolução após um longo período de crise, para a FecomercioSP o País pode já ter atingido o fundo do poço. “Não há euforia, mas há esperanças, algo que tem estado fora das análises dos indicadores, que se mostraram acertados diante dos fatos nos últimos dois anos”. A Federação divulgou comunicado estimando que o natal deste ano de 2016 já deverá ser um marco para a retomada da economia brasileira.

Inflação de alimentos cede e IPCA de agosto desacelera para 0,44% – A Parallaxis revelou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) registrou inflação mensal de 0,44% no mês de agosto, o que representou uma desaceleração ante o mês de julho, quando havia apresentado variação de 0,52%.

Com esse resultado, ainda que bastante superior ao mesmo mês de 2015 a inflação acumulada em 12 meses recuou, de 8,75% em julho, para 8,99% em agosto. A consultoria Parallaxis avalia, no entanto, que os números ainda são delicados e merecem atenção: “A expectativa é de que a inflação de alimentos fique um pouco mais comportada, conforme temos observado o recuo dos preços de alimentos nos indicadores que medem a inflação do atacado. Contudo, os indicadores que medem a inflação ao consumidor semanalmente têm demonstrado certo repique do preço dos alimentos no início de setembro, o que nos faz ligar o alerta”.

2016_09_12_parallaxis1

As expectativas anteriores da Parallaxis estavam aquém dos números reais: a consultoria previa queda de 0,36% no IPCA, porém o resultado foi superior devido a uma inflação maior em Habitação e Despesas Pessoais, e uma desaceleração menos intensa do que esperada no grupo de Alimentos.

“Analisando por ordem de importância na composição do resultado, Despesas Pessoais (0,10 p.p. de impacto), Saúde e Cuidados Pessoais (0,09 p.p.) e Alimentação e Bebidas (0,08 p.p.) exerceram pressão altista em conjunto representando 63% do resultado global do indicador”, indica a Parallaxis.

2016_09_12_parallaxis2

Ainda segundo a consultoria, é importante agora monitorar a inflação de alimentos: “Conforme destacamos, os indicadores de inflação semanais têm apontado para pressão inflacionária de alimentos, ao passo que os indicadores no atacado demonstram recuos. Ainda que os números tenham se revelado ligeiramente dissonantes, a empresa mantém as projeções originais para o IPCA: 7,2% para 2016 e 4,8% em 2017.

Fonte: Guia Marítimo