Capacidade, China, tarifas, DUIMP e volatilidade global tornam a entrada no último trimestre um momento decisivo para Procurement, Comércio Exterior e Supply Chain.
O último trimestre costuma concentrar uma combinação conhecida de pressões sobre as cadeias de suprimentos. Fechamento de metas, sazonalidade, planejamento de estoques, aumento de demanda, férias, feriados internacionais e a necessidade de concluir projetos antes do encerramento do exercício passam a disputar espaço na mesma agenda.
Em 2026, entretanto, essa preparação ganhou novas camadas.
Mudanças tarifárias, ajustes de capacidade no transporte marítimo, Golden Week na China, uma nova etapa da DUIMP e os efeitos da Reforma Tributária se somaram a um ambiente global ainda marcado por volatilidade e incerteza geopolítica.
Por isso, para Procurement, Comércio Exterior e Supply Chain, o Q4 não começa em outubro.
Ele começa na capacidade de chegar ao último trimestre com mais visibilidade, alternativas mapeadas e decisões já encaminhadas.
Capacidade disponível não é a mesma coisa que capacidade efetiva
Uma das variáveis que ganhou atenção ao longo de setembro foi o planejamento do transporte internacional.
Peak season não significa necessariamente ausência de capacidade no mercado. A questão é entender se existe capacidade na rota, na semana e com o equipamento de que determinada operação precisa.
Em 2026, o comportamento do mercado marítimo apresentou diferenças importantes entre corredores. Algumas rotas mostraram menor pressão típica de peak season, enquanto outras mantiveram uma demanda mais firme.
Esse cenário reforça uma distinção fundamental: capacidade publicada não é necessariamente capacidade efetiva.
Blank sailings, congestionamentos, alterações de rota, disponibilidade de equipamentos e redistribuição de espaço podem modificar rapidamente a disponibilidade real para determinado embarque. Por isso, entrar no Q4 olhando capacidade apenas no momento da cotação pode significar começar o planejamento tarde demais.
Capacidade precisa fazer parte do forecast, da estratégia de estoque e da conversa antecipada entre Comercial, Procurement, Comex e Operação.
Para quem depende da China, outubro começou em setembro
O calendário chinês voltou a mostrar como eventos conhecidos antecipadamente podem produzir efeitos muito antes de suas datas oficiais.
Entre 25 e 27 de setembro ocorreu o Mid-Autumn Festival. Amanhã, 1º de outubro, começa o feriado do National Day, que se estende até 7 de outubro e é amplamente conhecido no mercado como Golden Week.
Para as cadeias globais, entretanto, o impacto não começa no primeiro dia do feriado.
Ao longo de setembro, empresas que dependem da China precisaram considerar antecipação de produção e embarques, maior concentração de bookings e possíveis ajustes de schedules e capacidade em torno do período.
É justamente por isso que forecast comercial, produção, estoque e booking precisam estar conectados.
O feriado aparece no calendário em outubro. A preparação logística começa antes.
Essa é uma lógica que vale não apenas para a Golden Week, mas para qualquer evento previsível capaz de alterar ritmo de produção, capacidade ou disponibilidade ao longo de uma cadeia global.
Tarifas passaram a ocupar ainda mais espaço na estratégia logística
Outro elemento que marcou 2026 foi a crescente presença da política comercial dentro das decisões de Supply Chain.
As novas medidas adotadas pelos Estados Unidos em julho alcançaram, segundo estimativa do MDIC baseada no comércio bilateral de 2024, cerca de 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Dependendo do produto, as sobretaxas adicionais podem chegar de forma combinada a 37,5%.
No fim de agosto, Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente o diálogo comercial em torno dessas medidas.
Para as empresas, porém, acompanhar as negociações é apenas uma parte da estratégia. Uma alteração tarifária dificilmente afeta somente o imposto aplicado na fronteira.
Ela pode mudar preço, margem, contratos, origem, Incoterm, política de estoques, mercado de destino e até a viabilidade econômica de determinada operação.
Isso torna a geopolítica cada vez menos distante da rotina de Procurement, Comex e Supply Chain.
Também evidencia o papel que instrumentos aduaneiros podem assumir na capacidade de resposta. Em agosto, por exemplo, o governo brasileiro regulamentou a possibilidade de prorrogação excepcional, por até mais 12 meses, de atos concessórios elegíveis de drawback suspensão cujos compromissos de exportação tenham sido comprovadamente afetados pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos.
É um exemplo de como o conhecimento aduaneiro pode deixar de ser percebido apenas como uma necessidade operacional e passar a integrar efetivamente a estratégia de risco e competitividade.
A DUIMP entrou em uma nova etapa
Setembro também trouxe uma mudança importante para os importadores.
No último dia 27 de setembro, entraram em produção no Portal Único Siscomex alterações da DUIMP desenvolvidas para atender à Reforma Tributária do Consumo. As mudanças incluem novos tratamentos e funcionalidades relacionados à CBS e ao IBS, além do cálculo desses tributos por item da declaração.
Existe, entretanto, uma distinção importante: a entrada dessas funcionalidades no sistema não significa cobrança imediata de CBS e IBS na importação. Segundo comunicado complementar do Siscomex, não haverá cobrança ou recolhimento desses tributos antes de 1º de janeiro de 2027.
Ainda assim, a atualização amplia uma discussão que não pode permanecer restrita ao departamento de Comércio Exterior.
Comex, Fiscal, TI, cadastros, ERP e operação aduaneira precisam trabalhar de maneira cada vez mais integrada. O novo ambiente exige qualidade da informação, alinhamento entre áreas e clareza sobre como processos e sistemas irão se comportar quando a nova tributação passar efetivamente a produzir efeitos.
Quem utilizou setembro para testar integrações, revisar responsabilidades e validar processos entra no Q4 em uma posição diferente de quem ainda precisará realizar esses ajustes com a operação em andamento.
É nesse tipo de cenário que Customs deixa de ser apenas execução e passa a funcionar como inteligência aplicada à tomada de decisão.
Preparar o Q4 é ampliar a capacidade de escolha
Talvez a melhor definição de resiliência para os próximos meses não seja a capacidade de prever exatamente o que vai acontecer.
Em um ambiente marcado por tarifas, mudanças regulatórias, restrições pontuais de capacidade e eventos geopolíticos, nenhuma previsão será perfeita.
A vantagem está em construir opções.
Isso significa conhecer rotas alternativas, avaliar mercados e fornecedores, entender a exposição aduaneira, antecipar bookings quando necessário, acompanhar a capacidade disponível e garantir qualidade aos dados que sustentam as decisões.
Significa também criar margens de segurança onde elas façam sentido e, principalmente, definir antecipadamente quem precisa decidir quando determinado cenário muda.
Quanto mais clara essa estrutura estiver antes do problema, menor tende a ser o tempo entre o sinal e a resposta.
Planejamento, nesse contexto, não significa tentar controlar todas as variáveis.
Significa aumentar a quantidade e a qualidade das alternativas disponíveis quando alguma delas mudar.
Capital humano + tecnologia
Existe ainda um elemento que conecta todas essas discussões.
Quanto mais complexa se torna uma cadeia de suprimentos, maior é o volume de informação disponível para acompanhá-la.
Tracking, schedules, capacidade, tarifas, documentos, portos, regulamentações e dados de fornecedores podem circular hoje em uma velocidade que seria impensável há alguns anos.
Mas informação, sozinha, não resolve uma operação.
Ela precisa chegar à pessoa certa, ser interpretada dentro do contexto correto e se transformar em decisão.
É justamente nessa combinação que acreditamos na MAC: tecnologia para ampliar visibilidade. Capital humano para transformar visibilidade em ação.
Planejamento, Customs Advisory, inteligência de mercado e excelência operacional ganham força quando deixam de funcionar como atividades isoladas e passam a enxergar a mesma cadeia, compartilhando informação, contexto e responsabilidade pela decisão.
É nesse encontro entre pessoas e tecnologia que complexidade pode se transformar em previsibilidade — e previsibilidade em performance.
O Q4 começa amanhã. Para a Supply Chain, começou antes.
O calendário marca 1º de outubro como o início do último trimestre de 2026.
Mas as cadeias mais preparadas chegam até aqui com uma parte importante do trabalho já realizada.
Capacidade revisada, fornecedores alinhados, Golden Week considerada no planejamento, cenários tarifários acompanhados, processos relacionados à DUIMP revisitados e riscos e alternativas discutidos antes que se transformassem em urgência.
A volatilidade continuará fazendo parte do comércio global nos últimos meses de 2026.
O diferencial estará na capacidade das empresas de transformar sinais em cenários, cenários em decisões e decisões em execução.
Preparar uma Supply Chain para o Q4, portanto, não significa tentar controlar tudo o que pode acontecer.
Significa chegar ao último trimestre com mais informação, mais integração e mais condições de responder ao que acontecer.
Porque, para a logística, o último trimestre não começa quando o calendário muda.
Começa nas decisões tomadas antes dele.
Q4 começa agora. The Best of MAC. Intelligence to move ahead.