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Braço portuário da CMA CGM avalia terminais da Libra

Braço portuário da CMA CGM avalia terminais da Libra
18/01/2018

Mais um grande operador internacional de portos estuda desembarcar no Brasil. A Terminal Link, uma sociedade entre o armador francês CMA CGM e a China Merchants Holdings International, firmou um acordo de exclusividade com a brasileira Libra. O objetivo é estudar os ativos portuários do grupo controlado pela família Borges Torrealba, que tem nos terminais de contêineres nos portos de Santos e do Rio seus principais negócios. Já há due dilligence em curso, apurou o Valor.

A Terminal Link está sendo assessorada pela Ernst Young e a Libra conta com o apoio do Lazard. A perspectiva é que, caso a negociação evolua, uma proposta firme ocorra ainda no primeiro semestre. Procuradas, Terminal Link e Libra não se manifestaram até o fechamento desta edição.

À Terminal Link interessaria ser majoritária no negócio de portos da Libra, mas a eventual fatia não está definida. Criada em 2001, a operadora mundial de terminais tem uma rede de mais de uma dezena de instalações espalhadas pelas Américas Central e do Norte, Europa, África e Ásia. Mas ainda sem presença no Brasil.

A empresa é uma das que estudaram o Sepetiba Tecon, terminal de contêineres da CSN, em Itaguaí (RJ), em 2015. Mas a venda do ativo foi suspensa por Benjamin Steinbruch, acionista controlador da siderúrgica.

O interesse da Terminal Link na Libra está inserido no contexto de verticalização de grupos de navegação. Os armadores buscam reduzir custos ao controlar ativos dos quais dependem, como terminais portuários para embarcar e desembarcar as cargas de seus navios. A CMA CGM já opera linhas de navegação em Santos e no Rio nos terminais da Libra, mas o interesse no ativo é um negócio que corre paralelamente.

A CMA CGM é o terceiro armador do mundo. Registrou receita de US$ 16 bilhões em 2016 – último dado anual fechado. No ano passado, comprou da Maersk a Mercosul Line, empresa que atua na cabotagem brasileira.

A companhia francesa tem uma frota de 504 embarcações e controla 11,6% da capacidade mundial de transporte marítimo, com uma oferta de 2,5 milhões de Teus (contêineres de 20 pés). Fica atrás da Maersk e da MSC, respectivamente primeiro e segundo colocados, com 19,5% e 14,7% do mercado. Os dados são de ontem da consultoria internacional Alphaliner.

Os armadores Maersk e MSC integram grupos que já verticalizaram a operação no Brasil. O maior terminal de contêineres hoje do país é a Brasil Terminal Portuário (BTP), no porto de Santos. O empreendimento tem entre os sócios a APM Terminals, empresa de operação portuária que pertence ao grupo Maersk, e a Terminal Investment Limited (TIL). A TIL é subsidiária integral da Terminal Investment Limited Holding, que é 51% detida indiretamente pela MSC.

Já a asiática China Merchants desembarcou recentemente no Brasil, mas sozinha. Em setembro fechou um contrato vinculante para comprar 90% da TCP, empresa que opera o Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná, por R$ 2,9 bilhões. A transação envolve a compra da fatia do fundo de private equity Advent, controlador com 50% do TCP, mais 40% pertencentes a minoritários. O negócio ainda não foi concluído.

Fonte: Valor